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O amor pelo que se faz permite que se transbordem mil idéias, e as experiências e transformações que a vida nos implora a todo o momento, traz a tona o que nomeamos de criação. A partir de um texto repleto de criatividade, nos é autorizado, logo em sua primeira página, um mergulho na essência de seus personagens. Aí fica fácil e divertido criar um figurino.
A criação desse figurino surgiu de várias etapas, porém a linha primordial aconteceu numa conversa de poucos minutos com o diretor (melhor diretor que conheço) e a leitura da página que descrevia a personalidade de cada personagem.
È importante lembrar que a criação de qualquer coisa precisa, primeiro de tudo, ser permitida. Não pode ser bloqueada, sabotada por idéias fixas, por barreiras impostas pelo ego ou pelo medo do fracasso de um experimento. Todos têm de estar disponíveis para as novas idéias que virão e ter a sensibilidade de entender e embarcar nessa grande viagem. Saber administrar, dando limites e harmonizando todas as idéias é praticamente indispensável na execução de um grande e belo trabalho como esta dádiva que é Sofia.
Desde a leitura do texto, a exteriorização do que se passa nos pensamentos através dos desenhos, as conversas com todos os criadores desta loucura a fim de realizar tudo da melhor forma possível, se pensando em harmonia, conforto, mobilidade, durabilidade, transporte, beleza, os ensaios que iam mostrando mais e mais do que era a peça, as primeiras provas de roupa, os testes de materiais, até o último ajuste no terceiro sinal do teatro, se deu o processo de criação deste figurino.
Não canso de encher de elogios este trabalho que foi tão bom participar, pois foi permitido que fosse criado e recriado um figurino todos os dias até a estréia. Cada detalhe foi chegando ao seu tempo e cada personagem foi se acertando e demonstrando no seu momento o que era preciso para chegar ao que temos hoje.
Envolvido no nosso amor, criador e realizador desse trabalho e a esperança de que todos os espectadores amassem o espetáculo como se fosse seu, o figurino reflete a alegria, a força e a beleza dos sonhos que existem dentro de todos nós.
Carol Barros - Figurinista.
No vídeo abaixo você pode conferir um pouquinho dos nossos personagens e um pouquinho do trabalho da Carol! Pra conferir tudo só indo nos assistir. Encerramento da curta temporada: dias 22 e 23 de agosto, Teatro Thiago de Mello, Av. das Américas 19.400, Recreio. Sempre as 17hs!
SOFIA
Eu vi e aplaudi em pé!!!
“Sofia embaixo da cama” é um espetáculo que prima por valorizar a riqueza e beleza do universo infantil. Faz isso buscando retirar a criança daquele lugar em que comumente é colocada pela indústria cultural, que tende a imbecilizá-la com conteúdos estereotipados e preconceituosos, empobrecendo a possibilidade imaginativa e crítica do público infantil. Esse espetáculo, ao contrário, demonstra grande respeito ao seu público, na medida em que inverte estereótipos e valoriza como conteúdo central do texto, uma radical característica da infância: sua genuína capacidade de sonhar!
Uma criança princesa que não é dócil, mas arrogante e tagarela; um príncipe-sapo que não é corajoso; uma traça bibliotecária cansada, namoradeira e sedenta por férias; um pingüim exibido metido a dançarino e ator; um bicho-papão carente e solitário; um rato maluco metido à cientista e um ladrão de sonhos aterrorizado com pesadelos e invejoso dos sonhos das crianças. Esses são os personagens que vão causando espanto e surpresa na medida em que, com seus autênticos figurinos e suas personalidades às avessas, escapam aos estereótipos que associam o bonito, bom, delicado, dócil, corajoso versus o feio, mau, amedrontador, grosseiro, medroso. São representações de personagens que pouco aparece nos livros de literatura infantil, nos desenhos animados e nos enredos de peças infantis, mas que podem ser encontrados escondidos embaixo das camas das crianças...
A relação do sonho, no espetáculo, pode ser feita com o imaginário infantil, aspecto que predomina na lógica das crianças de interpretar e se relacionar com a realidade. Nesse sentido, ao invés de tratar a imaginação como algo que as crianças usufruem por não terem a mesma capacidade que os adultos têm de entendimento do real, o espetáculo valoriza essa capacidade de imaginar como a possibilidade de se transportar para outros mundos, trocar e aprender com novos personagens e sentir emoções que, muitas vezes, não cabem na lógica da realidade racionalizada. E faz disso seu conteúdo central, aquilo que causa inveja ao “ladrão dos sonhos”, personagem que vive aterrorizado em pesadelos e que, com a ajuda do cientista maluco, tenta roubar os sonhos das crianças. Seria o “ladrão dos sonhos” o protótipo do adulto que, enclausurado em seus medos, já não consegue mais sonhar como as crianças?
O espetáculo não deixa claro se Sofia está dormindo ou se está acordada, se a trama não passa de um sonho ou se é real, o que também permite aprender sobre essa imbricada relação existente na lógica infantil entre fantasia e realidade. Não se trata de precisar saber dessa resposta para se entender ou acreditar no espetáculo, porque o texto, a atuação dos atores, os figurinos, as coreografias e as canções constroem aquela ficção como uma realidade sentida pelo público que adentra nela e torce até o final para que o sonho das crianças sobreviva! Por isso, na medida em que o público se envolve com a trama fortemente vivida pelos personagens, ela já é uma realidade, porque produz efeitos nos que estão interagindo com ela; delicadamente, toca a criança adormecida que está no adulto...
“Sofia embaixo da cama” é, por isso, um espetáculo para todas as gerações. Valorizando a imaginação como conteúdo e método de construção do espetáculo, abraça o público infantil na medida em que o respeita e o leva a ter novos encontros, com novos mundos e personagens, os da peça e os que se criam a partir dela... Ao passo que, ao adulto, permite uma relação de alteridade com o universo infantil a partir do encontro com a (sua) infância... Quiçá os sonhos possam despertar dos baús das memórias infantis dos adultos e, enfim, as traças possam ter férias...
Deise Arenhart
Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.
Doutoranda em Educação na Universidade Federal Fluminense/UFF, com ênfase nos estudos das culturas infantis.
“Sofia embaixo da cama” é um espetáculo infantil de Marina Monteiro e sob direção de Marco dos Anjos. Conta a história de Sofia, uma menina destemida, que dormindo em seu quarto, recebe a visita de um antigo personagem de seus sonhos, o Príncipe-sapo Ezequiel. O príncipe precisa que Sofia o acompanhe até o Mundo dos Sonhos, pois o terrível Ladrão dos Sonhos está roubando os sonhos da garotada, colocando sob risco de desaparecimento todos os personagens do mundo de Ezequiel.
Atravessando o portal que existe embaixo da cama de Sofia, eles embarcam numa grande aventura. Juntam-se ao Flautinha, o pingüim-artista, e guiados por D. Traça a guardiã da Biblioteca dos Sonhos, têm que impedir o plano do terrível vilão.
Um espetáculo para aguçar a imaginação da garotada, que irá acompanhar Sofia nesta aventura repleta de música, surpresas e deliciosos personagens.
O mundo dos sonhos está